O Acampamento das Mulheres na Natureza na chuva mais extraordinário de todos aconteceu neste final de semana, dias 23 e 24 de novembro de 2024, em Rio dos Cedros.
Para essa ação, o principal desafio foi chegar até o local do acampamento, na Fazenda Ventania, em Rio dos Cedros, posso falar da minha própria experiência. Estava chovendo há alguns dias e na sexta-feira à tarde, quando todos os fornecedores do evento finalmente entregaram as encomendas, eu pude ligar a camioneta, carregada até o último espaço, para pegar a estrada rumo à Rio dos Cedros, contados 226 km da minha residência em Florianópolis até a Fazenda Ventania. Foram 7 horas de viagem, o tempo normal seria de 4h30. Além da chuva, de ser sexta-feira, peguei muitos trechos em obras na região de Blumenau e um desvio de estrada surpresa nos últimos 24 km, aliás, que foi de bastante adrenalina! Eu não havia sido informada pela Fazenda Ventania de que havia um desvio na estrada, que, para piorar, com tanta chuva virou um sabão! Estrada estreita, sem iluminação e perigosa, a camioneta foi "rabiando" os 24 km restantes. Já era noite quando cheguei na Fazenda na sexta à noite, buzinando e comemorando pois eu não esperava ter que fazer uma trilha de carro na lama com a camioneta carregada naquelas estradas justamente no dia do meu aniversário, passei o meu dia especial viajando sozinha e passando perrengue. Quando cheguei, algumas mulheres já me esperavam na Fazenda: Mara, Andrea e Ana Lua, estavam preocupadas com o meu atraso.
Sem demora as mulheres me passaram a resenha: chovia fortemente há alguns dias e o local de acampamento autorizado para as mulheres montarem as barracas estava alagado, sem nenhuma árvore ou poste para amarrar uma lona, o pessoal da Fazenda não autorizou as mulheres e passarem a noite em área coberta, com tantos espaços cobertos que tem na Fazenda Ventania, sem ninguém mais além de nós por lá, queriam que as mulheres dormissem no meio da água, uma falta de sensibilidade sem tamanho!
Eu, Mara e Ana Lua nos vestimos para enfrentar a chuva, com capas de chuva, guarda-chuvas e lanternas de cabeça e ligamos o "modo on" para resolver a noite de todas, fomos a campo na chuva e na noite avaliar as condições do terreno e os locais sugeridos para acamparmos, impossível. Assumi a responsabilidade e conduzi o pequeno grupo para instalação das barracas nos locais de cozinhas, onde tinha cobertura, piso e até luz. Neste local também não tínhamos autorização para nos instalar, mas diante da falta de condição do terreno aberto com tanta chuva, não tive outra alternativa do que descumprir a regra do "não pode". Um absurdo as regras da Fazenda Ventania, pois enquanto "não pode" acampar no enorme local coberto sem ninguém, lá havia umas 5 barracas armadas e vazias passando a noite sequinhas, Barracas montadas sem ninguém dentro foram mais bem tratadas e consideradas do que barracas com seres humanos dentro.
Com o objetivo de trazer novas experiência para as Mulheres, busco constantemente novos locais de acampamento que podem oferecer boa infraestrutura e que possibilitam criarmos lindas histórias, eu sou bastante exigente nessas escolhas e fico muito frustrada quando o fornecedor me decepciona nesse nível. Escolhi a Fazenda Ventania porque estive lá em 2019 para um Festival de Montanha e tinha boas lembranças. Fazia um tempo que eu tinha o nome desse local em mente para realizar alguma atividade com as Mulheres.
Choveu muito a noite toda! Acordamos as três às 5h30: Eu, Mara e Ana Lua, vestimos as capas de chuva e sem café fomos caminhar na chuva pela Fazenda em busca de algum lugar possível para amarrar lonas para cobrir pelo menos 9 barracas, as nossas, que teríamos que tirar do lugar onde passamos a noite e que "não pode" o quanto antes, e mais as barracas das mulheres que chegariam neste dia. Descemos uma lombada no gramado e descobrimos um lugar perfeito! Muitas árvores com distâncias ótimas para amarrar nossa lonas grandes. Sem demora buscamos as lonas, uma caixa de cordas e uma cadeira velha de ferro que tinha por lá e começamos a erguer o acampamento. às 7h30 já estávamos com a lona principal erguida e com as nossas três barracas embaixo dela, e eu feliz porque logo mais as mulheres estariam chegando e teria um lugar apropriado para um acampamento com tanta chuva. Foi neste momento que eu ouvi a Ana Lua num grito me chamando porque a moça da Fazenda veio dizer que ali também "não pode". Me aproximei da moça da Fazenda para compreender o incompreensível, Explicou ela que aquela casinha velha que fica junto do único local possível de amarrar lonas para colocar as barracas embaixo, com tanta chuva que caia sem parar, seria alugado e "não pode" ter pessoas ali perto. Não vou relatar o discurso que baixei para a moça da Fazenda, não vale a pena reviver aquela energia, mas resumindo, lá ficamos com autorização concedida.
Logo depois voltei a atenção para a decoração do nosso espaço "autorizado", que "pode", e na recepção das Mulheres que vinham chegando para o evento e no cronograma proposto, o sábado foi oficialmente o primeiro dia do evento, e trazia no cronograma o almoço coletivo das Mulheres e a festa de premiação da Tigra 2024. Este é um evento importante para as Mulheres, um evento anual que acontece há alguns anos sempre no mês de novembro.
O almoço coletivo foi uma baita atividade! São muitos ganhos para o grupo nesta dinâmica! Dias antes do evento, ainda no grupo de whatsapp do evento, foi feita uma votação e as Mulheres escolherem o cardápio do almoço, a maioria escolheu legumes refogados, arroz branco e batata palha, servido com folhas verdes. A produção foi animada e divertida, cada mulher fez alguma coisa, e a nossa comida ficou muito boa! Elas tiveram a experiência de cozinhar sem os recursos normais que uma cozinha dentro de casa oferece, foi um workshop de cozinha de acampamento, tiveram contato com os fogareiros e utensílios diferentes, como o protetor de vento do fogareiro.
E o cronograma seguiu abaixo de chuvarada!
Ao entardecer comecei a montar a mesa do evento com as comidas, as tacinhas, os espumantes e os presentes. Testei o microfone, que não funcionou, mas tudo bem porque estávamos somente nós na área coberta em comum, a chuva espantou todo mundo. Nenhum esforço é demais para agradar elas. A noite de sábado e 23 de novembro de 2024 teve muitas atrações e a mesa foi um encanto à parte. Tudo bonito, tudo gostoso e tudo vegetariano.
A premiação TIGRA 2024 aconteceu na noite do sábado (23), no acampamento das Mulheres, em Rio dos Cedros. A premiação sempre é um momento solene, independente de onde estamos no mapa, ritual e cerimônia sempre marcam os nossos momentos, muito mais este tão importante. Alguns rituais não são registrados em vídeo ou fotografia, tem algumas coisas que acontecem que só sabe quem esteve lá.
A premiação identificou duas Tigras do grupo que se destacaram em 2024 pela sua força, coragem, participação, apoio, incentivo e que trouxeram a essência das Mulheres na Natureza em seus corações, foram premiadas e as apresento para o conhecimento de todas:
🐯 Tigra Top 1 - Ana Lua Muller
🐯 Tigra Top 2 - Mara Beatriz da Rocha
Ana Lua Muller - Tigra Top 1 2024
Inacreditavelmente o dia 24 de novembro amanheceu com sol e céu azul. Aleluia! Foi uma festa! Uma alegria! Sempre as mesmas acordando cedo, saracotiando pra cima e pra baixo e cantando "já amanheceu na Fazendinha" para acordar as coleguinhas, que nem sempre reagem com o bom humor esperado.
Logo após o café da manhã saímos para a trilha da Cachoeira do Guardião, foi uma atividade muito bonita! Junto com o sol voltaram as cores, o verde do caminho estava vibrante e as mulheres estavam ainda mais alegres! Uma caminhada curta, mas perfeita para a pequena Júlia, de apenas 4 anos, que junto da sua mãe, Andrea, estava acompanhando o evento em todas as atividades. Júlia vivenciava seu primeiro acampamento, uma criança muito querida, uma menina tranquila e sorridente! se tornou a nossa tigrinha, com tiara de orelhas de tigra nos cabelos, caminhava comigo na frente, fui explicando à ela sobre a importância de caminhar na frente, pois teríamos que antecipar todos os obstáculos da trilha e cuidar de todas as mulheres que vinham atrás de nós. Adoramos ter a pequena Júlia no grupo!
O privilégio de ter o pezinho cor de rosa da Júlia no círculo de botas
volta da trilha fizemos um mutirão para desmontar o acampamento, No início da tarde nos despedimos e as mulheres foram embarcando nos carros e pegando a estrada de volta. A estrada é uma aventura à parte, a viagem é longa, de no mínimo 4h30, e fazer viagens longas também é uma experiência nova para algumas mulheres, aprender a baixar GPS offline, aprender a improvisar, a lidar com situações inusitadas e a manter o bom humor enquanto acontece tudo isso.
Sem dúvidas o Acampamento das Mulheres na Natureza 2024 foi de grandes aprendizados, uma oportunidade de desenvolver o autoconhecimento, o aprendizado de novas habilidades, o exercício da resiliência e o desenvolvimento de novas percepções sobre o que é bonito na natureza: somente o sol é bonito? até que ponto a chuva pode atrapalhar um acampamento, uma festa ou um estado de espírito? Quem sou eu no grupo do acampamento com chuva? O que eu sinto quando sou contrariada?
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Meu nome é Ione Maculan, sou guia de turismo de Santa Catarina, idealizadora das Mulheres na Natureza e escritora desse blog.
As histórias são todas verdadeiras porém são escritas sob meu ponto vista.
As fotos são de uso exclusivo das Mulheres na Natureza, não podem ser copiadas ou reproduzidas por qualquer motivo e de qualquer maneira, sob pena de agravantes judiciais.











Ione, foi um acampamento fantástico! Aprendemos muitas coisas novas. Desenvolvemos habilidades pela questão da chuva. Mais do que nunca, trabalhamos cooperativa mente em equipe e organizamos um lindo acampamento. Com certeza as memórias que ficarão não são das proibições, ou da lama, mas sim de quantas risadas, bate-papo e novas amizades fizemos. Obrigada por eternizar essa experiência em palavras. Adorei participar! E a Júlia, amoooooooou!
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