Dia 05 de outubro de 2024, sábado. A data foi estrategicamente pensada pois no dia seguinte, 06 de outubro foi dia de eleições e não realizamos ações nesta data.
O nosso dia amanheceu lindo! Bem como foi anunciado pela previsão do tempo. Saímos em comboio com dois carros e 8 mulheres de Florianópolis para Nova Veneza, lá se juntou mais uma mulher para fazer a trilha com o grupo.
Criei essa maneira de realizar as logísticas para as ações das Mulheres: as mulheres motoristas do próprio grupo que possuem carro, com seguro e documentos certinhos, fazem fretamento garantindo o transporte e a realização da ação mesmo com um número menor de participantes, que muitas vezes não seria o suficiente para cobrir os custos de uma van, que no caso costuma ser dirigida por um homem, desconfigurando o perfil do grupo das Mulheres na Natureza que oferece atividades de turismo de aventura exclusivo para mulheres. As nossas mulheres motoristas recebem compensações variadas, algumas vezes isenta o pagamento da sua participação na ação, outras vezes recebem também pagamento pelo serviço e dos custos do veículo, conforme cada caso, cada destino, a distância e a estrutura da ação oferecida.
Para Nova Veneza fomos Josete dirigindo o Kicks dela e eu dirigindo a minha Duster, ligamos o Radar But e lá se foi a caravana da alegria! :)
Sem demora fomos para os confins de Nova Veneza no local de início da trilha para a Cachoeira da Clínica, uma estrada que vai, vai, vai... o Morro que a gente via de longe fica pra trás e parece que não chega nunca.... Enfim chegamos na propriedade privada do senhor que nos autorizou a entrada e conversando com a Secretaria da Cultura de Nova Veneza eu soube que ele já foi até prefeito lá, duas vezes. Em 2023 levei uns 5 grupos de Mulheres para fazer a trilha da Cachoeira da Clínica, em alguma dessas conversei pessoalmente com o proprietário das terras ali. Lembro bem, ele autorizando a passagem nas terras para a cachoeira: "a cachoeira é de todos", mas lembro também de uma outra fala dele: "essa região é pura jararaca!". Depois daquele dia passei a levar as mulheres sempre com perneiras, como guerreiras armadas.
A trilha para a Cachoeira da Clínica é considerada de nível fácil, dá uns 5,5km, ida e volta, mas nunca é de leve! Tudo começa com o desvio das vaquinhas, ali tem criação de vacas leiteiras, são muuuitas! Junto disso, precisamos identificar os arames com choque para atravessar, tudo isso enquanto tentamos não atolar as botas na mistura de lama com bosta de vaca logo nos primeiros metros. Nunca é de leve! Passados os primeiros desafios da estrada, chega o momento que precisamos atravessamos um riacho que estava meio cheio porque choveu durante a semana e encheu mais a Cachoeira e o riacho, quem conseguiu não molhar as botas, ótimo! quem não conseguiu passar sem molhar as botas, paciência. Porque logo mais iria atolar no barro igual.
Quero salientar um fato que ocorreu logo ali neste ponto do riacho. Estávamos nós, as 9 mulheres, caminhando em direção ao riacho para atravessar, quando do outro lado do riacho vinha voltando da cachoeira um casal jovem, o rapaz nos viu e não se conteve em falar: "vocês têm sorte eu já fui, porque a trilha está bastante fechada e eu tive um trabalhão para liberar a passagem". Ora, veja, posso falar? A vontade era de dizer praquele guri: "escuta aqui o piá de merda, nós iríamos passar de todo modo porque eu mesma irei abrir a trilha para as Mulheres, deixa de ser machista e de pensar que nós não daríamos conta! Somos 9! não se aguenta de ver um grupo de mulheres que já se acha galo?! Passa daqui!" Isso que eu queria ter dito à ele, massss para não causar um clima ou algum desconforto para as mulheres, apenas ignorei e passamos reto. Queria mesmo é derrubar ele no riacho.
Na trilha parecia que tinha passado um ciclone, muitas árvores caídas na trilha e mato bastante fechado, ativamos a mulher-elástica e passamos cada uma no seu estilo pelos obstáculos. Enfim, a majestosa Cachoeira da Clínica, que festa! que alegria! foto, foto, foto, vídeo, vídeo, mais foto...
Na volta a novidade foi uma serpente na trilha, tinha um meio metro, grossa assim fechando o polegar com o indicador, marrom, estava na minha frente, santo bastão de caminhada que chegou antes que meus pés, dei-lhe um grito e fui para trás! deixa a guria passar, e lá foi ela mais assustada do que eu. Essa foi a conversa até o final da trilha, algumas não quiseram mais nem fazer xixi no mato. Quero te dizer que em 12 anos andando pelos matos, pelas montanhas e pelas trilhas, vi apenas duas serpentes. Eu vi uma serpente pequena na trilha da visita técnica do Monte Crista e aqui na trilha da Cachoeira da Clínica, ação oficial de número 166 na contagem. É realmente muito difícil de encontrar, mas bem que o senhor lá me avisou.
Na volta, muito perto do término, quando se pensava que já estava tudo certo, era só chegar, mais um desafio. Todas as vacas se juntaram na porteira de passagem para chegar, eram mais de 100 vacas, não tinha espaço para nós passarmos. Precisei inventar um desvio na hora, fomos pelo campo ao lado, fomos caminhando pelo desvio tra-lá-lá com todas as vacas nos olhando, tra-lá-lá quase chegando e atolamos as botas de novo! atolamos todo o pé! que delícia! Viva a torneira que tinha lá no terreno da casa do caseiro.
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Meu nome é Ione Maculan, sou guia de turismo de Santa Catarina e idealizadora das Mulheres na Natureza e escritora desse blog.
As histórias são todas verdadeiras porém são escritas sob meu ponto vista.
As fotos são de uso exclusivo das Mulheres na Natureza, não podem ser copiadas ou reproduzidas por qualquer motivo e de qualquer maneira, sob pena de agravantes judiciais.





















