segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

EXPEDIÇÃO PERU 2025

 A primeira expedição internacional das Mulheres na Natureza partiu de Florianópolis em 15 de janeiro de 2025. Em voos com escala em Santiago do Chile, as seis mulheres participantes chegaram à Cusco à noite com um fuso horário de 2 horas a menos.

1º dia - 15 de janeiro de 2025

Uma festa! Uma alegria! todas as seis vestindo as camisetas verdes das Mulheres na Natureza, maletas pequenas, flores de girassol nas mochilas, a nossa marca. Ana Lua e eu combinamos até as roupas, camisetas das Mulheres com calça branca e terninho verde, combinação elegante para a representatividade internacional. Bilhetes de embarque nas mãos, tudo ensaiado. 

Estávamos tão alegres que nos aeroportos parecíamos uma turma de amigas adolescentes, fazíamos corrida com as maletas de rodinhas, correndo pelas esteiras e rindo alto!

A comissária informou a presença do nosso grupo no avião e foi uma festa, muitas pessoas aplaudiram! Ideia da Mara que falou com a comissária e fez surpresa para o grupo.

Cláudia, Ana Lua, Mara Beatriz, Ione (eu), Elizete e Marcia.

figurino combinando

Chegamos em Cusco à noite, o transfer estava esperando e nos levou para o hotel, muito bonito! Ficamos em quartos duplos um ao lado do outro. Na recepção logo nos ofereceram chá de coca e sem demora fomos caminhando até uma casa de câmbio trocar reais por soles, pois no dia seguinte sairíamos cedo para o primeiro passeio. Na volta dessa caminhada foi servido o jantar para o nosso grupo, uma amostra da maravilhosa gastronomia peruana logo de chegada.




2º dia - 16 de janeiro de 2025

O café da manhã do hotel ofereceu bastante variedade! De encher os olhos e as pancinhas. Tudo novidade! as comidas, os costumes, as cores, a língua, as pessoas...

Dia do primeiro passeio: Tour Cusco Arqueológico, com a guia Mariluz, especialmente solicitada, pois fiz questão de ter guias mulheres para nos conduzir nos passeios no Peru.

Conhecemos Qoricancha, o templo do Sol, depois Sacsayhuaman, onde realizamos um ritual feminino. Neste dia conhecemos muitos templos Incas, aprendemos sobre sua história e cultura, visitamos alguns locais muito chocantes, como as pedras onde eram realizados sacrifícios de jovens mulheres, foi difícil de passar por lá e foi difícil de aceitar, mas conta a história que existiu.
Qoricancha, o templo do Sol



                                         com a guia Mariluz, em Sacsayhuaman

Visitamos também uma criação de Alpacas, foi muito divertido! Elas são grandes, pescoçudas e sorridentes! haha Foi uma festa! Para a maioria das mulheres estava sendo a primeira vez que viam um animal dos Andes, por aqui, no nível do mar, não temos Alpacas, é um animal característico dos Andes.


Alpaca muito contente


Neste dia boa parte do grupo sentiu os males da altitude, Cusco fica a 3.400 m de altitude e é inevitável não sofrer algum mal. Os sintomas mais comuns da exposição à altitude incluem falta de ar, dor de cabeça, fadiga, tontura, perda de apetite e náuseas. Eles costumam aparecer acima dos 2 mil metros de altura. Em um primeiro momento, aparecem quando a demanda de O2 é maior, como durante o exercício físico, isso significa que uma caminhadinha já é suficiente para ativar os males. Alguns destes males pegaram algumas mulheres do grupo. Mara e Elizete foram as únicas que não tiveram nenhum problema com a altitude do início ao fim da viagem. 

Neste dia, somente eu resisti até o fim do passeio. O grupo se dissipou. Ana Lua foi levada de van para o hotel, estava ruim dos males. Elizete e Mara foram para o Mercado de San Pedro, o Mercado Público de Cusco, elas têm uma história muito engraçada para contar dessa parte, das comidas exóticas que se arriscaram a comer pois estavam loucas de fome!
Marcia se arriscou a acompanhar o tour na Catedral mas deu pt (perda total) no caminho e foi acudida pelos funcionários da Basílica. Me senti privilegiada com o guiamento exclusivo da guia Mariluz Catedral Basilica da Virgem Assunção, Mari me explicou as obras de arte "cuscomizadas", foi incrível! 

À noite, Mara, Ana Lua (já recuperada), Elizete e eu fomos jantar em um restaurante muito especial em Plaza de Armas, que oferece pratos saborosos e apresentações artísticas culturais. Fizemos um brinde com Inka Cola, produto local. 

3º dia - 17 de janeiro de 2025

Esse dia foi longo e cheio de coisarada!
A missão principal do dia era compilar a bagagem em uma pequena mochila para passar uma noite em outro hotel em Urubamba, mas outras coisas também aconteceram, vou contar essa história.

Saímos cedo do hotel para o passeio no Vale Sagrado dos Incas, onde realizamos um ritual para Pachamama, conduzido pela nossa guia Mariluz, pra mim foi a parte mais legal de toda a visita no Vale Sagrado, e, não foi fotografado nem filmado. 
No Vale Sagrado dos Incas com temperaturas baixas, microclimas do verão Peruano

Mal chegamos no Vale Sagrado e os males da altitude já afetavam fortemente uma integrante do grupo. Como os passeios eram "maratonados", um atrás do outro, era comum que uma mulher ficasse na van se recuperando entre um passeio e outro, porque estava se sentindo mal. Parecia um revezamento não combinado, hora uma, hora outra... No Vale Sagrado foi a Marcia quem ficou na van, por isso ela não está na foto acima.

Eu considero bastante inteligente e persuasivo como os peruanos nos vendem seus produtos de maior valor, como roupas produzidas com lã de alpaca e lhama (de verdade, não sintético) e a prata! primeiro eles explicam a história, como se produz a gerações, evidenciam a legitimidade do produto e finalizam agregando o valor histórico no valor cobrado em soles. Quem vende produtos de qualidade e mais caros no Peru faz isso, criam um enredo e nos enredam. Ficamos encantadas e compramos muitas coisas! (Enquanto houver soles). Em Pisac, nos ensinaram sobre as pedras preciosas do Peru, os símbolos e a força da prata pura, adivinha? foi onde compramos gastamos "muchas plata" para comprar prata. Prata verdadeira e cara com símbolos da pachamama, da cruz andina... haha

Em Pisac pensamos que a situação dos males seria resolvida indo à farmácia, buscado soluções para a Marcia se sentir melhor, conhecemos o "hidraplex andino", a altitude promove males que precisamos ficar reparando.

Em Chinchero recebemos uma carga de aprendizados sobre a arte da tecelagem. As mulheres de Chinchero são as principais  guardiãs dessa tradição milenar. Elas dedicam suas vidas à arte da tecelagem, passando seus conhecimentos para as próximas gerações. Essa prática não é apenas um meio de sustento, mas também um pilar fundamental da identidade cultural da região. Com pitch de vendas decorado, fazendo gracinhas e arrancando risadas mostraram seus talentos teceleiros, para na sequência, é claro, nos conduzir para a venda de suas lindas obras, roupas e peças diversas com lã de alpaca e lhama, legítimas, isso quer dizer que é bem mais caro.

a artesã explicando que as tinturas das lãs de alpacas e lhamas vêem de produtos naturais

tudo muy rico y muy caro

Levamos a Marcia para o Hotel de Urubamba, (onde pernoitamos nesta noite) e chamamos um médico para atendê-la, pois a coisa ficou feia. O atendimento médico foi super eficiente, veio sem demora. Naquela noite eu soube pela Marcia, que o nível de oxigênio no sangue baixou muito. O nível normal de oxigênio no sangue é de 95% ou mais. Segundo a Marcia me falou, o médico mediu o nível de oxigênio dela e estava em 55%. Ficou recebendo oxigênio e atendimento médico no hotel enquanto o grupo seguiu para Ollantaytambo.

Ollantaytambo




Em Ollantaytambo compramos estoque de águas para durar à noite e levar para Machu Picchu

Quando voltamos de Ollantaytambo para o hotel em Urubamba, eu tinha muitas demandas para atender.

Eu que estava fotografando os tuk tuk durante o dia, pois achei curioso e engraçadinho este meio de transporte que é uma moto encaixotada de lataria, um veículo de três rodas motorizado, estava até propondo de andarmos de tuk tuk o grupo todo por pura diversão, acabei andando de tuk tuk por pura emergência, vou te contar.

estacionamento de tuk tuk em Ollantaytambo

No final do dia eu estava com uma emergência médica e uma emergência odontológica no grupo para atender. Saibam que o seguro viagem internacional precisa ser ativado para ser usado e que é preciso pagar as contas todas para depois receber o reembolso. E saibam que o seguro viagem não assegura casos odontológicos. 

E de repente estava eu na beira da estrada em Urubamba, buscando por um tuk tuk, único meio de transporte que existe por lá, não tem uber, nem táxi. O rolê de tuk tuk que era para ser poesia virou um caso de necessidade, pois eu precisava chegar na Inka Pharma o mais rápido possível. Logo apareceu uma moça jovem motorista de um tuk tuk, que logo não queria me levar, mas acabamos fechando o frete por 4 soles porque não era muito longe, na negociação ficou combinado que eu teria que esperar ela ir numa loja de tintas que ficava no caminho.

foto interna do tuk tu enquanto eu esperava a moça que foi na loja de tintas

Nesta noite, jantamos as cinco numa mesa exclusiva do restaurante, a Marcia jantou no quarto. Negociei um quarto individual para a Claudia, que precisava descansar pois não dormia há duas noites porque sua colega de quarto estava se sentindo mal e para fechar o dia 17 de janeiro pedi um pisco sauer, eu mereci.

4º dia - 18 de janeiro de 2025

Dia de madrugar e ir à Machu Picchu
O café da manhã foi às 5h, a van veio nos buscar no hotel de Urubamba às 5h40 para nos levar à estação de trem de Ollantaytabo, o nosso trem foi o Vistadome, teto de vidro, serviço de bordo, tudo bonito! Viajar de trem durante o dia é a melhor opção, pois é possível ver as belezas da natureza exótica da região: rio, montanhas e até cume com gelo, em pleno verão peruano.


Marcia e Ana Lua no trem Vistadome

Em Águas Calientes encontramos com a guia Magali, nossa guia de Machu Picchu e pegamos um microônibus que subiu morro acima para a cidade perdida.
Enfim chegou o dia de visitarmos Machu Picchu!
A cereja do bolo!






OBRIGADA, MACHU PICCHU!
OBRIGADA, PERU!

Não, não acaba aqui a nossa história no Peru. 

Depois de Machu Picchu, fizemos o caminho de volta: desce o morro de microônibus, pega o trem, pega outro microônibus e anda, anda, anda por longas horas até chegar a Cusco, onde retornamos para o hotel inicial.

5º dia - 19 de janeiro de 2025

A Claudia saiu cedo para o aeroporto, os voos de volta para Florianópolis foram bem diversificados, as outras cinco mulheres saíram de Cusco neste dia somente à noite, então tivemos praticamente o dia todo para passear nos entornos de Plaza de Armas, nos despedir de Cusco, fazer as últimas compras e as últimas fotos. Más un choclo (milho cozido), mais um suco de laranja feito na hora no meio da rua, mais uma passada no Mercado Público, mais um chapéu para a Elizete, enquanto a Mara se despedia contemplando o movimento das pessoas, sentada em um banco da praça, hora aqui, hora lá, e numa cafeteria. Tivemos tempo de caminhar mais pra lá, de sair um pouco da rota turística, de conhecer a verdade sobre a rotina e a vida dos cusqueños. Até a chegada hora de nos encontrarmos todas no hotel para esperar a van que nos levou ao aeroporto. 

Até a próxima aventura!

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Meu nome é Ione Maculan, sou guia de turismo de Santa Catarina, idealizadora das Mulheres na Natureza e escritora desse blog.

As histórias são todas verdadeiras porém são escritas sob meu ponto vista.

As fotos são de uso exclusivo das Mulheres na Natureza, não podem ser copiadas ou reproduzidas por qualquer motivo e de qualquer maneira, sob pena de agravantes judiciais.



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